Prestes a completar 30 anos, Wimpro não vê motivos para comemorar


30 de existência e poucos motivos para comemorar: esta a atual fase da Associação Desportiva Wimpro, de Guarulhos. Vivendo seu momento mais dramático, principalmente o lado financeiro, a equipe da grande São Paulo, campeã da Liga Sudeste em 2011, quer esquecer 2013 e dar a volta por cima na próxima temporada.

Uma história de sucesso alinhada a problemas financeiros fazem parte de uma realidade pela qual muitas outras agremiações passam. Porém, a Wimpro se trata de uma marca responsável em projetar para o futsal os principais craques do Brasil, dentre eles, Índio, Lenísio, Vinícius, Humberto (hoje na Rússia), Paulinho Japonês, Leandro Simi, e muitos outros.

História

O surgimento da Wimpro se difere em relação às demais equipes. Em 1984, o atual presidente, Amaury Braga, era proprietário de uma indústria de chocolate próximo ao do Colégio Progresso, em Guarulhos. Por conta desta proximidade, ‘seu’ Amaury construiu uma boa amizade com o responsável pelo colégio, o Sr Armando.

Na época, o Colégio Progresso contava com um time muito forte, porém, limitado apenas a competições interescolares. Sentindo a necessidade em apostar no elenco, ambos formaram uma parceria, na qual tinha como o principal patrocinador, Aildo Jorge de Souza, responsável pela empresa ‘Wintom Equipamentos’.

O nome escolhido foi bastante sugestivo: Wim (Winton) Pro (Progresso), em alusão aos novos parceiros. A fundação oficial da equipe está datada em 9 de agosto de 1984. Mas somente em 1990 foi que a AD Wimpro se filiou à FPFS (Federação Paulista de Futebol de Salão). Já em 2012, a categoria principal migrou para a Liga Paulista de Futsal, mas sua permanência na elite ainda é uma incógnita. 
 Craques falam sobre este momento difícil:

Lenísio, campeão do mundo com a seleção brasileira em 2008 e auxiliar técnico do Corinthians fala sobre a gratidão que tem com a Wimpro:

Tenho um enorme carinho e gratidão pela Wimpro. Uma equipe que me deu a oportunidade de começar minha carreira na categoria adulta e que revelou muitos atletas, grandes nomes da nossa modalidade. Levo a Wimpro sempre no meu coração”.

Também revelado pela Wimpro na época em que atuava na categoria juvenil (hoje sub-20), o ala Paulinho Japonês, do Corinthians, lamenta toda esta situação adversa:

É uma pena a Wimpro estar passando por isso, um time que revelou muitos jogadores de seleção brasileira e que ainda estão brilhando nas quadras. Eu espero que alguém possa olhar para esta equipe, por que seria uma pena se acabasse”.

Na minha época tínhamos o apoio forte da prefeitura, não só com o futsal, mas também em todas as modalidades, tanto é que Guarulhos era campeão dos Jogos Abertos do Interior. Com a Wimpro sempre ganhamos, não apenas nos Jogos Abertos, mas outros campeonatos importantes. Fica aqui meu apoio a esta grande equipe tradicional no futsal paulista e que possa se reerguer novamente como antigamente”.

Vinícius, capitão da seleção brasileira e um dos destaques da ADC Intelli/Orlândia, afirma que só tem coisas boas para falar da Wimpro:

Acredito que seja um dos clubes que mais revela e revelou jogadores no futsal. Tenho orgulho em dizer que saí dali e só fico triste por não conseguir ter o apoio necessário para seguir crescendo. Que bom seria se Guarulhos, com suas grandes empresas, apostassem por um investimento maior na Wimpro. Quem sabe um dia isso possa acontecer. Sobre a minha época no time, me lembro como se fosse hoje. As dificuldades nunca foram um problema.

Acho que justamente a fome de vencer dos jogadores, comissão técnica e direção, deixavam qualquer fato negativo em segundo plano. A Wimpro moldou meu caráter como atleta, e por isso minha gratidão é eterna. Espero que a Wimpro volte a ser forte e possa ser recompensada por todos esses anos de ajuda ao esporte”.

Um dos destaques na conquista da Liga Sudeste em 2011, Angelo, hoje no Suzano/São Paulo, diz que não tem o que reclamar em relação à AD Wmpro:
Na minha época, graças a Deus, cumpriram comigo tudo o que foi acertado. Eu acho que por isso nós tivemos resultados positivos e que nos levaram ao título da Liga Sudeste; Eu só tenho a agradecer as pessoas que trabalharam lá comigo e desejo à Wimpro que volte a ser uma equipe respeitada.

Um time tão tradicional do nosso esporte não pode estar do jeito que está agora. Guarulhos é uma cidade muito grande, com empresas multinacionais que poderiam ajudar a modalidade. Espero que essa situação se resolva logo e a Wimpro possa estar de novo no seu devido lugar disputando títulos e podendo, como sempre fez, revelar grandes jogadores para o nosso esporte”.

Fotos: CBFS, Luciano Bergamaschi, Jornal do Futsal, Gilberto Santos e  divulgação

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