O Check-in Futsal desembarca nesta semana na Europa, mas precisamente na Hungria, onde nossa história está apenas começando, porém, o personagem da vez, traz na bagagem momentos marcantes na Letônia. O bate-papo de hoje é com o pernambucano Everton da Silva Santos, oVevé.
Essa aventura começa em Portugal, quando aos 21 anos de idade o atleta defendeu as cores do Acadêmico de Mogadouro, tendo sua primeira experiência em uma competição internacional. Em seguida, Vevê foi contratado pelo FK Nikars Riga, equipe campeã da Letônia e que disputa a UEFA e é aonde começaram as conquistas e os principais títulos da carreira do jogador.
Nas temporadas de 2011 a 2014 somou muitos prêmios. Foi campeão nacional, campeão da copa da Letônia, campeão da Supercopa, melhor jogador da Liga e artilheiro de todos as temporadas com 22, 23 e 36 gols.
“Disputar a UEFA foi a minha maior realização. Era um sonho por ser a competição de clubes mais importante da Europa. Em 2012 chegamos na Elite Round que aconteceu na Espanha e tive o prazer de enfrentar equipes como o El Pozo e o Dínamo. Quando cheguei na Letônia fui muito bem recebido por ser um dos primeiros estrangeiros contratados para jogar futsal na história da modalidade desse país. Depois de três anos de conquistas, hoje sou reconhecido em muitos lugares do país e tenho minhas fotográficas nas lojas da Nike nos shoppings da cidade.”
Desde o final de Janeiro de 2015, Vevé está na Hungria e mora na cidade de Gyor. Há cerca de duas semanas o atleta já conquistou seu primeiro título pela nova equipe: a Copa da Hungria. Com contrato até Maio, ele e o clube ainda podem entrar num acordo para renovar por mais uma temporada.
Conheça um pouco mais sobre os momentos mais marcantes de Vevé na Letônia e agora no futsal húngaro:
Futsal em Pauta: Como foi o impacto cultural entra Brasil e Europa?
Vevé:“O que mais me impressiona nos europeus é a educação. É muito difícil você estar nas ruas e encontrar lixo espalhado ou em situações simples, como ver uma pessoa bebendo uma latinha de refrigerante e jogar no chão. Eles ficam com ela na mão até encontrar uma lixeira. Tanto na Letônia, como agora na Hungria isso é muito comum, eles respeitam e cuidam da cidade.”
F.P.: Uma das primeiras dificuldades é o idioma. Como você lidou com isso passando por países com mais de um idioma diferente?
Vevé:“Foi bem difícil. Primeiro na Letônia, não sabia falar inglês, muito menos o russo. Sempre tinha que pedir ajuda para a tradutora, até mesmo pra sair pra comer. Até que chegou um momento que cansei disso e comecei estudar o inglês, duas horas por dia, todos os dias e sozinho. Hoje sei falar muito bem os dois idiomas. Agora na Hungria, o húngaro é bem complicado e só aprendi dizer “Obrigado”, preciso estudar mais.”
F.P.: E como foi a alimentação?
Vevé:“Para quem gosta de batata, panquecas, sopa e salada não teria dificuldades na Letônia. Quando cheguei lá estava muito frio e todo mundo tomava sopa todos os dias. Eu não gostava. Mas depois de morar três anos lá aprendi a gostar.”
F.P.: Você sabe cozinhar?
Vevé:“Não e o que me ajudou muito na Letônia foi um restaurante chamado LIDO, lá sempre tinha arroz, feijão, frango, carnes, vários tipos de suco e sobremesa. Era minha segunda casa.”
F.P.: Longe de família e amigos, como se diverte em dias de folgas?
Vevé:“Na Letônia eu fazia de tudo, tem praias que são lindas e no inverno assistia a jogos de hóquei no gelo que eram impressionantes. Cheguei ver 15.000 pessoas gritando “Dínamo, Dínamo Riga!” Foi sensacional e me marcou muito, pois nunca tinha assistido uma partida desse esporte antes. Agora na Hungria, como estou a pouco tempo não conheço muita coisa e meu passatempo acaba sendo ir ao shopping que é próximo de onde moro.”
F.P.: Tem o hábito em viajar?
Vevé:“Adoro viajar e conhecer outras cidades. Riga (Capital da Letônia) é sensacional. Tem tudo o que um brasileiro gosta: shoppings, baladas, esportes, praias e muitas mulheres bonitas. O problema é que que quando a temporada acaba em Maio e retorna em Agosto, e o verão já está no final e temos poucos dias para aproveitar.”
F.P.: Ficamos sabendo que dirigir na neve não traz boas lembranças?
Vevé:“ Em Janeiro de 2012 estava nevando muito, eram -26 graus e era a primeira vez que eu dirigia com a pista cheia de neve. O carro girou na curva e bati numa árvore.”
F.P.: E você já foi parado pela polícia?
Vevé:“Eu voltava de uma festa e fui parado para realizar o teste do bafômetro. Quando mostrei meu passaporte e o policial viu que eu era brasileiro ele perguntou se era eu mesmo e respondi “Yes”, foi então que ele ficou todo feliz e começou dizer em inglês que amava o Brasil, o carnaval, o Pelé…. me devolveu o passaporte e me dispensou. Foi a sorte.”
F.P.: Dia 13 de Janeiro é uma data especial pra você. O que acontece nesse dia?
Vevé:“É meu aniversário. Eu sempre acordo feliz nesse dia e disposto a sair com os amigos para comemorar. Mas desde que cheguei na Europa, eu acordo dia 13 com a neve me desejando Feliz Aniversário e dizendo: “Fica em cada que lá fora tá -20” (risos).”
F.P.: Que lição você vai levar de tudo isso? E o que ainda deseja?
Vevé:“Graças ao futsal hoje falo inglês e russo e ofereço uma vida confortável para meus pais. Isso é muito importante. Como sai muito cedo do Brasil ainda tenho a intenção de voltar e ter a chance de disputar as principais competições brasileiras.”
Por Tamiris Dinamarco / Fotos: Divulgação e arquivo pessoal


