O futsal nunca foi apenas um esporte dentro da família Marcolla. Entre viagens, ginásios do interior gaúcho e a rotina construída ao redor das quadras, os irmãos Pedro e Bernardo cresceram dividindo o mesmo sonho: transformar a paixão pelo jogo em profissão. Anos depois, os dois vivem momentos importantes da carreira carregando trajetórias diferentes, mas marcadas pelo mesmo elemento — a persistência.
O início dentro de casa: a influência do pai na formação dos irmãos
O principal incentivador da trajetória dos irmãos sempre esteve dentro de casa. O pai acompanhava de perto os treinamentos, viagens e primeiros passos no esporte, criando uma relação direta com o futsal desde a infância e ajudando a consolidar a modalidade como parte natural da rotina familiar. Essa presença constante foi determinante para a construção da base esportiva e emocional que acompanharia Pedro e Bernardo ao longo da carreira.
Mais velho da família, Pedro Marcolla, de 28 anos, nasceu em Porto Alegre (RS) e começou a trajetória ainda na escola, antes de migrar para escolinhas e equipes da região. A profissionalização aconteceu cedo. Depois da passagem pelo Real de Encruzilhada do Sul, Pedro iniciou a carreira adulta aos 17 anos no Nadas Branco, tradicional equipe da Série Bronze gaúcha.
Como acontece com boa parte dos atletas do futsal brasileiro, os primeiros anos foram marcados por dificuldades financeiras, estruturas limitadas e a necessidade de adaptação constante. Mesmo diante dos obstáculos, construiu espaço no cenário estadual até viver um dos momentos mais marcantes da carreira em 2021, quando conquistou o título da Série Prata do Rio Grande do Sul com o AGE Futsal de Guaporé e ainda foi eleito o
melhor ala da competição. A sequência abriu portas para experiências internacionais no futsal europeu, primeiro na Itália e depois em Portugal. A passagem pela Sampdoria representou não apenas um salto esportivo, mas também pessoal. Morando longe da família pela primeira vez, Pedro precisou se adaptar a uma nova cultura, idioma e estilo de jogo. Mais tarde, em Portugal, encontrou um futsal mais físico e intenso durante a passagem pelo Torreense.
A carreira, porém, também exigiu capacidade de reconstrução. Em 2025, sofreu uma fratura na tíbia durante uma partida, ficando aproximadamente dez meses afastado das quadras. O período de recuperação se transformou em um dos maiores desafios da trajetória profissional. Hoje defendendo o Futsal São Lourenço, de Santa Catarina, Pedro busca consolidar a retomada da carreira após um período difícil longe das quadras.
O irmão mais novo e a construção de um sonho no futsal
Enquanto Pedro construía o próprio caminho, Bernardo Marcolla crescia acompanhando de perto a rotina do irmão mais velho. Natural de Rio Pardo (RS), o ala destro de 22 anos iniciou no futsal aos oito anos, em uma escolinha de Pântano Grande (RS), sempre tendo o pai e Pedro como referências dentro do esporte. A mudança mais significativa aconteceu ainda na adolescência. Aos 14 anos, deixou a família para realizar testes na base da ACBF, uma das principais potências do futsal brasileiro.
A aprovação no Sub-15 marcou o início de uma trajetória construída integralmente dentro do clube de Carlos Barbosa. Longe de casa ainda muito jovem, Bernardo precisou amadurecer rapidamente. A distância da família se tornou um dos principais desafios emocionais da caminhada, mas também ajudou a acelerar o processo de crescimento dentro e fora das quadras.
A evolução técnica rapidamente o transformou em uma das promessas da ACBF. O primeiro gol como profissional, aos 17 anos, e as convocações para a Seleção Brasileira foram passos importantes em uma trajetória que segue em ascensão. Dentro de quadra, se consolidou pela intensidade, visão de jogo e capacidade de articulação ofensiva.
O ápice até aqui chegou no dia 31 de maio, com a conquista da Libertadores de Futsal pela ACBF. O clube liderou o Grupo A da fase de grupos, eliminou Panta Walon nas quartas e Centauros nas semifinais, antes de uma decisão dramática contra o Magnus: 2 x 2 no tempo normal e título definido nos pênaltis, por 7 x 6.
Dentro dessa campanha histórica do heptacampeonato, Bernardo foi além: foi nomeado pela própria CONMEBOL como o Hero of The Tournament, premiação equivalente ao melhor jogador da competição, reconhecimento que consolida seu nome entre os grandes nomes jovens do futsal sul-americano.
Os ídolos e sonhos que ajudam a moldar a trajetória dos irmãos Marcolla Mesmo com características diferentes — Pedro mais ligado à finalização e ao passe, Bernardo mais associado à intensidade e construção ofensiva — os irmãos compartilham influências parecidas. Falcão, Ricardinho e Diego Zuffo aparecem entre as principais inspirações de ambos, assim como o desejo de alcançar espaço cada vez maior no futsal nacional.
Hoje, enquanto Pedro busca novas oportunidades após experiências na Europa e um período delicado de recuperação física, Bernardo segue consolidando espaço na ACBF e sonhando com a Seleção Brasileira principal. Caminhos distintos, mas conectados por uma história construída desde a infância dentro das quadras gaúchas.
Assessor responsável: Lucas Mendonça | Foto: Divulgação


