Artigo: Goleiro é o guerreiro solitário

O dia 26 de abril é dedicado ao Dia do Goleiro, personagem geralmente lembrado mais pelas falhas do que pelas defesas. Ivan Gomes (técnico do São José Futsal), que já atuou como goleiro e treinador da categoria, escreveu um artigo para lembrar a data.

No jogo, ele é o único que veste uniforme diferenciado, o único que pode usar as mãos dentro da área. No futsal, tem que jogar bem com os pés, ter boa noção de marcação para desarmar os ataques fora da área e fazer boas coberturas. E quem o cobre? Ninguém. Guerreiro solitário. Esse é um dos nomes que podem definir um goleiro. Há outros, como santo, corajoso, louco etc.

O guerreiro está lá para defender do jeito que puder, para ajudar a todos. Mas quem o ajuda quando ele erra? Cabe a ele coragem para levantar a cabeça, sob vaias e críticas, e se preparar para a próxima bola, que poderá ser decisiva no jogo. Quando joga bem e falha no último lance, é o que fica na lembrança da maioria. Ninguém sabe o que sentimos quando operamos verdadeiros milagres, quando saímos de um jogo sem levar gols.

O arqueiro sabe que é uma peça importante ao time e que tem que ser muito corajoso para estar embaixo das traves e assumir tudo que poderá acontecer. Pode ter certeza de que ali ele vai fazer o possível e o impossível pra ajudar seus companheiros e seu treinador em mais uma vitória.

Alguns goleiros sentiram alivio e a sensação de dever cumprido quando pararam de jogar ou ganharam um campeonato importante. Marcos, do Palmeiras, disse uma vez: “Pensava que poderia ser um novo Barbosa (goleiro da seleção brasileira em 1950 e que perdeu a Copa no Brasil), um dos maiores responsáveis pela derrota. Ele morreu com esse peso, mas nós sabemos que a culpa não foi dele”.

O goleiro Raul Plasma, que jogou na década de 80 no Flamengo e Cruzeiro, declarou em certa ocasião: “Quando parei de jogar não fiquei triste, fiquei aliviado por ter feito tudo o que podia da melhor forma. Me sinto com o dever cumprido”.

Fonte: Futsal na Rede