A carreira do treinador Flavinho Cavalcante começou há 30 anos, e ao longo de sua trajetória, colecionou títulos e passagens pelos principais clubes do Brasil, além de seleção brasileira (como auxiliar-técnico) e futsal chines. Mas quem vê, hoje, o técnico brilhando nas quadras, nem imagina que no início de carreira, atuou como preparador de goleiros no Palmeiras.
Flavinho Cavalcante passou pela GM, Malwee, AD Unisul/Tubarão, São Caetano/Corinthians, Fortaleza, Santa Fé/Funec, São Paulo/Marília, Palotina, São José Futsal, Portuguesa (base) QuingDao (China), Guarani (RS), Mombaça, Horizontina Futsal, Passo Fundo Futsal e atualmente está no São João do Jaguaribe (CE).
A seguir, o técnico, que fala sobre o perfil do atleta, que muda de um Estado para outro, bem como o jogo em si. Na China, vivenciou essas mudanças e algumas dificuldades, levando em conta o fato de ser um país totalmente diferente do nosso em vários aspectos:
“Sem dúvidas nenhuma temos várias escolas no nosso país quando falamos de futsal, cada região tem suas características, temos no sudeste um jogo mais cadenciado com muita qualidade técnica, no Sul um jogo de mais força, disputas mais acirradas, no nordeste se caracteriza bastante pelo improviso, pelo jogo individual acentuado. Na China a maior dificuldade era a parte cognitiva de conseguir variar o jogo , tecnicamente tinha grandes jogadores , de muita qualidade, como na época que eu estive por lá o jogador iniciava a sua carreira no futsal no adulto, acredito que a dificuldade estava muito por esse fator“.
Flavinho vem de uma escola de treinadores, cujo perfil era mais de um profissional mais enérgico, mais pulso firme (não que os de hoje não sejam assim), mas com esse ‘novo perfil’ de atleta, muita coisa que se falava há 20, 30 anos, não cabem mais. O técnico fala como é ter que se readequar a tudo isso:
“O que se falava há 20, 30 anos hoje nem pensar , acredito que a mudança da sociedade é determinante para essas diferenças, a criação dos filhos é muito diferente, da forma que meus pais me criaram e da forma que eu crio meus filhos já tem uma enorme diferença, temos que acompanhar a evolução e as mudanças que cada geração passa“.
Seu trabalho ultrapassou fronteiras. No Brasil, foi ‘do Oiapóque ao Chuí’ e independente da questão financeira, Cavalcante menciona qual a melhor região para se trabalhar:
“Cada região tem as suas particularidades e principalmente grandes diferenças culturais, aprendi nessas três décadas dedicadas ao futsal a me adaptar rapidamente a cada nova realidade e sinceramente essa questão de preferência nunca parei para pensar”.
A temporada de 2016 traz boas recordações ao treinador. Neste ano, além de uma boa participação nas competições promovidas pela LPF (Liga Paulista de Futsal), à frente do Tempersul/Dracena, Flavinho também levou o time à conquista dos Jogos Abertos do Interior em cima do Magnus/Sorocaba.
Desde o momento em que chegou ao Dracena, a contratação de dezenas de jogadores vindos do Nordeste, talvez, tenha sido um de seus legados. E essa ‘importação’ de novos talentos cresceu muito no futsal dracenense:
“Em Dracena no ano de 2016, o primeiro jogador de sucesso que eu contratei foi o cearense Paulo Victor, ele abriu a porta para uma série de jogadores nordestinos, que também tiveram sucesso por lá”.
O comandante teve o privilégio de trabalhar com os principais nomes do mundo, mas revela com quem gostaria de ter trabalhado:
“Dei muita sorte na minha carreira, pequei o final de uma geração espetacular que era a geração do Manoel Tobias e o início de outra geração histórica que é a do Falcão, então tive o privilégio de trabalhar com os dois, além do Fininho, Lavoisier, Vander Iacovino, Ortiz. Aí veio Falcão, Vinícius, Shumacher, Neto, Indião, Vander Carioca. Mas o jogador que eu gostaria de trabalhar era o Lenísio, esse, infelizmente faltou“.
O futsal possibilitou vários sonhos realizados, porém tem em especial que pretende realizar: “Um sonho que venho amadurecendo é escrever um livro”.
Pra encerrar, o treinador fala sobre as novas competições alternativas, as quais surgiram nos últimos anos e até que ponto são benéficas para os clubes:
“O futsal se dividiu em várias entidades, infelizmente, mas hoje é uma realidade que não sei se esse caminho terá volta, por outro lado oportunizou mais oportunidades para quem vive do esporte, abriu um novo horizonte para muitas cidades e estados esquecidos no cenário nacional, e descobrimos outras equipes com enorme potencial de investimento e qualidade, então é difícil precisar se foi ruim ou bom para o futsal”.
Foto: Fan Page/ Federação Cearense de Futsal – FCFS


