Campeão da LNF (Liga Nacional de Futsal), André do Santos Bié, o ‘Bié’, levou o Corinthians à inédita conquista em 2016, após fazer história nas categorias de base e sub-20 do Timão. Aliás, foi no sub-20 que o treinador também se firmou com um grande e vitorioso profissional.
Durante o período em que comandou o ‘Timãozinho’, Bié abasteceu a equipe adulta em várias temporadas, com atletas que, hoje, fazem sucesso dentro e fora do Brasil, sendo que muitos deles já fizeram parte de várias convocações para a seleção brasileira de futsal.
No ano de 2016, o treinador contou com uma breve, porém, proveitosa passagem pela seleção brasileira. Foram dois jogos amistosos e duas vitórias. A primeira por 6 x 3 sobre Paraguai, em Sorocaba (SP), a segunda, em Belo Horizonte (MG), onde o Brasil venceu pela contagem de 3 x 2.
Ainda em 2016, André Bié, até então, auxilar de Fernando Ferretti, foi efetivado ao cargo após Ferretti acertar com o Magnus Futsal. A mudança não foi apenas no comando técnico, mas sim, em todo o planejamento financeiro no Departamento de Futsal. Mesmo assim, o elenco ‘fechou’ com o novo treinador, e os resultados foram acontecendo gradativamente:
“2016 foi um ano super especial. Fui efetivado como treinador, após a saída do Ferretti para a Magnus. E tive o privilégio de ter um grupo experiente com os mais jovens, que subiam do sub-20, que já tinham três anos comigo na categoria sub-20.
Então isso facilitou o processo com grandes jogadores, atletas jovens, mas com muita qualidade. E é isso que foi a tônica do título. Os mais experientes se fechando com os mais jovens, o respeito mútuo, o entendimento coletivo.
E Graças a Deus fui abraçado por todos eles, num momento que, para mim era muito difícil, teoricamente. Sendo auxiliar, passar a ser o treinador dessa equipe. Tudo deu tudo certo, porque eles confiaram no processo, confiaram no trabalho e o ambiente teve uma sinergia absurda; Claro, com a atmosfera da torcida corintiana, que fez a diferença também, com certeza“.
Ao longo dos anos, Bié vivenciou grandes jogos e algumas, das principais rivalidades no futsal (Corinthians x Palmeiras, Corinthians x Intelli, Corinthians x Magnus, Carlos Barbosa x Atlântico, Carlos Barbosa x Jaraguá, etc…). O treinador, Dá pra mensurar qual é mais intensa, tanto nas quadras quanto nas arquibancadas:
“Tive este privilégio de vivenciar grandes finais, e grandes rivalidades. Todos os jogos que participei são importantes, dentro de um contexto e de uma grandeza incrível, uma atmosfera, uma dimensão gigantesca. Todos têm uma dimensão e um gostinho especial, pra falar a verdade.
Não tem como falar qual é o melhor ou qual o pior, enfim, eu vou colocar Corinthians e Magnus, que foi a final que nós ganhamos e ficou muito marcada na minha vida, na minha trajetória como treinador, até porque, era o meu primeiro ano e se não me engano, o mais jovem a conquistar uma Liga. Então, todos têm sua importância, sua rivalidade sua grandeza, mas vou escolher Corinthians e Magnus, porque representou a tão sonhada Liga conquistada“.
Assim que se desligou do Corinthians, Bié teve pela frente um novo desafio na carreira: assumir uma equipe profissional na Tailândia. Mais precisamente em abril de 2022, quando acertou com o Chonburi Blue Wave. Para o treinador, esta experiência foi de muito aprendizado:
“Realmente foi uma experiência muito rica em aprendizado, em conhecimento, informações. É um futsal que está em evolução constante, eles incentivam muito a garotada dos 13 anos para cima, até o adulto.
Investem bastante no esporte, são muito organizados. E o que me chamou muita atenção referente à organização da competição, os jogos nos horários, tabela confeccionada muito antes da competição começar.
E o quanto eles levam a sério o esporte, a modalidade de futsal. Então isso me chamou muita atenção. São muito solidários, prestativos. A Tailândia tem tudo para para ser uma potência, devido à forma que eles enxergam o esporte.
Tenho uma gratidão eterna pelo Chongburi, pelo presidente Pan. E acredito que a Tailândia logo, logo será um dos maiores polos do futsal“.
Referências não faltam na trajetória do técnico. Durante muitos anos, principalmente no Corinthians, Bié teve o privilégio de conviver com os profissionais mais renomados da modalidade, o que só enriqueceu o seu trabalho:
“De fato, também tive esse privilégio, essa honra de poder trabalhar com grandes nomes do futsal: Lucas Chioro, PC de Oliveira, Miltinho, Ferretti. E agradeço a Deus por essa oportunidade de aprendizado. E confesso a você que todos me ajudaram a moldar o meu estilo de jogo, minha gestão de vestiário, gestão de conflitos, gestão de treino, e até mesmo sobre o planejamento de uma equipe.
Me ajudaram bastante e me identifico com todos, porque todos me ofertaram muito conhecimento, muitas informações. Acredito que essa sinergia entre nós também foi um diferencial competitivo que eu estou levando pra frente na minha carreira, pro meu futuro. E agradeço a Deus por essa oportunidade de aprender com os melhores“.
O que não é segredo para ninguém, é o amor e sentimento de gratidão que André Bié tem relação ao ‘7 de Setembro’, clube localizado na zona leste de São Paulo, onde o treinador também total identificação:
“O 7 de Setembro é uma das grandes paixões. Tenho um amor muito grande pelo clube. Foi o clube que iniciei as minhas atividades dentro do futsal e que me oportunizou desde os meus cinco anos de idade.
É um clube que eu tenho uma paixão incrível, porque sempre vivenciei grandes momentos. Momentos incríveis junto com meus pais, com a minha família, com meus primos, com meus irmãos e com grandes amigos.
Então, hoje a gente tem uma identificação. Nós somos mantenedores da escolinha de futsal do Sete de Setembro/ Bate Bola. E tentamos fazer o melhor ali para a garotada, para eles também terem essa oportunidade de iniciar no clube, da mesma forma que nós tivemos, que possam também virar cidadãos e quem sabe, um atleta profissional de futsal.
Tenho um amor muito grande pelo 7 e uma gratidão imensa, porque foi o clube que me acolheu desde pequeno e tem uma história linda de família“.
O treinador finaliza falando sobre a importância de seu pai, conhecido como ‘Portuga’ e seu irmão, o ex-atleta Aleba:
“Meu pai foi um espelho, uma referência, um ídolo, um herói. E sempre nos apoiando, sempre nos incentivando. Nos levando, desde a quadra da da Vila Invernada até os interiores de São Paulo, nos auxiliando, nos ajudando, torcendo por nós, fazendo e dando o melhor para que a gente pudesse desempenhar o nosso papel da melhor forma possível. Não só no futsal, mas na vida.
E Sempre nos oportunizou grandes feitos com muito suor, dedicação e comprometimento. Sempre foi um cara muito sério nos seus compromissos e nunca deixou faltar nada para nós todos. Foi nosso treinador no 7 de Setembro, nosso dirigente e tem grandes histórias. É um ídolo pra mim e com certeza hoje me faz muita falta para para conversar, para sugerir e para nos auxiliar nas tomadas de decisões. Mas sei que ele está num bom lugar e torcendo e fazendo para nós aí o nosso melhor.
E referente ao meu irmão, um ídolo também. Através do Aleba, um grande jogador, uma grande pessoa. Sou muito fã do meu irmão por tudo o que ele representa, não só no futsal, mas como pai de família também, um grande pai de família e um excelente irmão. Então, Aleba para mim também é um é um ídolo. E através deles, eu tive o incentivo, me moldeei da melhor maneira possível, levando valores e princípios familiares para dentro da quadra“.
Poucos meses depois, após passar pelo futsal tailândes, Bié retorou ao Brasil para comandar o Carlos Barbosa, do Rio Grande do Sul, onde também faturou títulos: Campeão da Liga Gaúcha, campeão da Copa Lages, Campeão Gaúcho (2024), campeão da Copa Sul e campeão da Copa dos Campeões. No entanto, no último mês de março, André Bié se desligou da equipe laranja, mas deixou mais um legado de títulos e comprometimento.
Por falar em títulos, a ‘galeria’ do treinador conta com as mais diversas conquistas: Liga Nacional (2016), Liga Paulista (2016, 2018 e 2019), Copa do Brasil (2018 e 2019), Supercopa (2018, 2019 e 2021), Campeonato Paulista (2019 e 2021). Além disso, nas categorias de base do Corinthians e no sub-20, a rotina de títulos também foi constante.


