Aconteceu na noite desta segunda-feira (7), no Espaço Petrobrás de Cinema, em São Paulo (SP), a pré-estreia do documentário “As Primeiras” – filme de Adriana Yañez, em parceria com a “Olé Produções”.
O projeto retrata a trajetória de algumas atletas, vindas do subúrbio do Rio de Janeiro, as quais, por meio do futebol, fizeram parte da primeiras convocações para a seleção brasileira de futebol, no início dos anos 80.
Com a sessão praticamente lotada, o público riu e se emocionou do início ao fim com as histórias contadas por Fanta, Elane, Marisa, Fia, Pelezinha, Leda e Roseli, que esteve presente no evento, distribuindo carisma, atendendo todos os torcedores e simpatizantes do futebol feminino.
Roseli, que teve uma carreira de sucesso dentro e fora do Brasil, incluindo Japão e Estados Unidos, fala como foi jogar bola em sua época, todas as dificuldades e faz um breve comparativo com os dias de hoje:
“Na minha época, a gente jogava por amor no futebol feminino. Muito amor mesmo. A gente só sabia fazer isso, que era jogar o futebol feminino, e era muito sacrifício. Sofremos muito. Eu tive que sair de casa, fugida, para poder realizar os meus sonhos. E hoje o futebol feminino está crescendo cada vez mais.
Mas a gente quer mais. A gente precisa também de trabalho. Como nós viemos do futebol feminino, hoje em dia a gente precisa do futebol feminino também para sobreviver, para colocar comida dentro de casa“.
Roseli também fala a respeito desta atual geração de atletas, as quais, hoje em dia, estão mais engajadas e cientes de terem um trabalho de mídia ainda mais forte, incluindo Redes Sociais e assessorias de imprensa:
“Sim, tem que aparecer sim. E é isso que nós estamos buscando: Mídia, Estamos buscando várias coisas. E a tendência é só crescer“.
A ex-craque do Corinthians, Palmeiras, São Paulo e seleção brasieira comenta sobre a ideia deste documentário:
“Olha, esse documentário, quando chamaram a gente, pelo menos eu, eu fiquei meio assim, será que vai? Será que não vai? Eu falei, vamos lá. E olha só no que deu, no que está dando esse documentário. Estamos aqui no cinema, meu Deus do céu, isso é gratificante demais; Eu falei, se eu não infartar hoje, está bom. Será o primeiro de muitos, se Deus quiser“.
Já a cineasta Adriana Yañez, que já trabalha com documentários há 15 anos e já fez outros projetos voltados ao futebol feminino, conta como surgiu a ideia de criar um filme falando sobre as primeiras jogadoras da seleção brasileira:
“Os produtores fizeram essa provocação de fazermos um documentário sobre as pioneiras do futebol, e daí, a gente mergulhou neste universo das pioneiras. Neste mergulho de pesquisas, a gente encontrou esse grupo de mulheres que são do subúrbio do Rio de Janeiro, que nasceram, cresceram e moram lá até hoje, mulheres que têm por volta de 60 anos e formaram a primeira seleção de futebol do Brasil. E a gente resolveu fazer um filme retratando o dia a dia delas e resgatando também essas memórias das primeias seleções“, explicou.
Adriana fala ainda, sobre a captação de todo o material, levando em conta toda a dificuldade de se encotrar registros mais antigos do futebol feminino, seja material impresso ou em vídeo:
“O material de arquivo é muito escasso, a gente usou muito algumas fotografias que elas mesmas fizeram durate as viagens. Então, o documentário tem todo esse clima intimista dessas mulheres, que levaram uma máquina fotográfica para a China em 88, depois em 91 e fizeram fotos tanto dos trajetos, quanto dos vestiários e também do dia a dia delas, enquanto elas jogavam em outros times, alem da seleção Brasil“, finalizou.
O documentário ‘As Primeiras’ entra em cartaz a partir desta quinta-feira (10), também no Espaço Petrobrás de Cinema, Rua Augusta, 1475, próximo à estação Consolação do Metrô. Em seguida, no dia 17 de abril, o filme chega ao streaming (ClaroTV e Vivo Play), e ao Canal Brasil em 17 de maio.
No Rio de Janeiro também haverá sessões a partir do próximo dia 12 (sábado), no Arte SESC (bairro do Flamengo), em Madureira, Nova Iguaçu, Tijuca e Biblioteca Euclides da Cunha (SESC Cocotá).
Foto: Mauro Martins


