Um carro de som anuncia, camisas azuis pela cidade também denunciam: é dia de futsal em Marau. No interior do Rio Grande do Sul, a cerca de 300 quilômetros da capital Porto Alegre, a Associação Marauense de Futsal – AMF – faz reviver o amor de uma cidade inteira pelo futsal. Desde 2016, com a retomada do projeto profissional, nas noites de jogo em casa, a rotina muda e os olhos se voltam ao esporte que se tornou o favorito da maioria dos quase 40 mil habitantes da cidade.
Há cerca de três anos, o Ginásio Municipal Jatyr Francisco Foresti voltou a pulsar com a presença de uma equipe no Campeonato Estadual de Futsal. Porém, a paixão da cidade pelo esporte vem de longa data – ainda na década de 1990. Com saudosismo, os torcedores mais antigos lembram com brilho nos olhos a equipe que conquistou o Rio Grande, se sagrando campeã estadual em 1992 e vice-campeã estadual em 1994. Paixão que, após anos, ressurgiu mais forte ainda, para ser revivida pelos mais velhos e conquistar os mais novos.
E a prova que o futsal é a paixão dos marauenses pode ser vista em números. Desde a retomada, os jogos recebem uma média de público de cerca de 600 pessoas por jogo – tendo como recorde de público uma torcida de cerca de 2 mil pessoas na final do Estadual em 2017. Além disso, são centenas de camisas vendidas, realização de excursões para diversas cidades do Estado e uma adesão cada vez maior da população. No mundo virtual, os números também surpreendem: são mais de 240 mil acessos na página oficial do clube na internet, além de somar uma das páginas mais acessadas no Facebook, com mais de 6 mil curtidas e um tráfego de mais de 18 mil acessos por mês.
Já em quadra, a AMF responde à altura o carinho recebido nas arquibancadas. Após a retomada em 2016, com a disputa do Estadual Série Bronze, no ano seguinte foi a vez de erguer a taça de campeão. Com um aproveitamento excepcional de 75,5%, com 21 vitórias, cinco empates e apenas quatro derrotas, a equipe marauense se consagrou campeã estadual e garantiu vaga na divisão superior, com a disputa da Série Prata neste ano.
De acordo com o presidente da entidade, Maurício Franceschi, a ideia é fortificar ainda mais a prática do esporte em Marau. “Estamos semeando um projeto que já colhe frutos e tem raízes fortes. Muito mais que ter um time representando a cidade, estamos envolvendo os marauenses, dando opção de lazer e despertando a paixão pelo futsal. Além disso, estamos construindo o futuro, não só do esporte, mas também através da educação envolvendo nossas crianças e adolescentes, que se espelham no time adulto”, ressaltou.
Pensamento no futuro do esporte
E pensar a longo prazo, em Marau, tem atitudes na prática. Através da Escolinha e também do projeto social, a Associação Marauense de Futsal envolve crianças e adolescentes do município na prática esportiva e também como forma de educação, recreação e sociabilidade.
No projeto social, que dispõe de aulas totalmente gratuitas, o público-alvo são crianças e adolescentes dos sete aos 16 anos, de ambos os sexos, prioritariamente matriculados em escolas públicas do município de Marau. Atualmente, o núcleo de treinos está localizado no ginásio da escola Darwin Marosin, com aulas semanais no turno inverso ao escolar, que atendem mais de 200 crianças.
Seguindo diretrizes socioeducativas, os objetivos são priorizar a prática esportiva saudável em um ambiente de relações construtivas, acrescentar conhecimento à vida de todos os alunos, estimulando a convivência em sociedade e oportunizar aos alunos a participação nas equipes da AMF, dando-lhes novas perspectivas de futuro. Para, muito mais que fazer futsal, fazer de Marau uma terra cada vez mais apaixonada e envolvida com o esporte.
Texto e foto: Alessandra Formagini – Jornalista/Assessoria de Comunicação AMF


