Depois de termos uma longa parada na Rússia com boas histórias dentro e fora das quadras, vamos desembarcar na Indonésia, que hoje está em festa. Tem atleta aniversariante comemorando pela segunda vez em terras estrangeiras. O Check-in Futsal desta vez será em Bandung, onde está a equipe Carlsberg Vamos Mataram F.C. e o atleta que comemora 28 anos nessa segunda-feira (2), é Bruninho Salles.
Bandung é uma cidade da ilha de Java e tem um clima fresco. Com cerca de quatro milhões de habitantes é um centro cultural, turístico e industrial bem forte.
Você deve estar se perguntando como é comemorar o aniversário em outro país. E foi essa a primeira resposta do Bruninho. “Não é muito diferente do Brasil. Os amigos daqui compram um bolo, temos as bebidas como refrigerante, chá e não pode faltar uma cerveja. Jantamos todos juntos e depois vem a famosa “ovada”.”
Aos 5 anos de idade, o atleta já estava na escolinha de futsal. Com 6 anos já era federado nas categorias menores do Barueri, onde permaneceu até os 15 anos. Passou também pela Portuguesa, Palmeiras/Osasco, R.C. Garça, Botucatuense, Jacareí, Pato Branco, Ivaí, Itapeva e agora há dois anos joga no Carlsberg Vamos Mataram F.C. da Indonésia onde conquistou a Gubernu Cup e a Province Cup, um estadual do país e que reúne as principais equipes. Com contrato até Dezembro de 2015, Bruninho conversou com o Futsal em Pauta.
Futsal em Pauta: O que você mais estranhou na Indonésia?
Bruninho Salles: “No país 80% da população é mulçumana, então a cultura já é bem diferente em tudo. E um dos costumes que estranhei muito e ainda não me acostumei é que eles tomam banho com água fria e comem com colher e garfo. Apesar do clima no país ser quente, não consegui me adaptar a isso.”
F.P.: E como foi a alimentação?
B.S.: “Foi complicada. Não tem feijão e eles não usam sal e os temperos são bem diferentes. Eles colocam muita pimenta nos alimentos também. Com o tempo até fui me adaptando, mas sempre que vou ao mercado procuro comprar produtos semelhantes aos brasileiros. Minha comida basicamente é frango e peixe, batata e ovos. A carne é bem diferente e a qualidade é bem inferior, então é bem pouco.”
F.P.: E o que você mais sente falta do Brasil?
B.S.: “Do nosso bom e velho churrasco com a família e os amigos.”
F.P.: E fora dos treinos, como vive esse brasileiro na Indonésia?
B.S.: “Nas hora vagas procuro ir em restaurantes ou fazemos algo em casa dos jogadores. Vamos ao shopping, conhecemos lugares novos, jogamos futevôlei e curtir a praia.”
F.P.: E pra matar a saudade do Brasil?
B.S.: “Toda semana falo com meus familiares e os amigos no Brasil pelo Skype.”
F.P.: E já conheceu outros brasileiros pela região?
B.S.: “Recentemente eu conheci um que foi ex-jogador de futebol aqui em 2002. Hoje ele trabalha com escolinha de futebol para crianças, mas ele não mora na mesma região. Na equipe só tem eu de brasileiro, porque a regra deles só permite um estrangeiro por time.”
F.P.: Qual o idioma mais falado?
B.S.: “Eles falam o Bahasa indonésio, que é o idioma nacional. Mas cada cidade tem um idioma diferente e isso é bem estranho. Você muda de cidade e a pessoa já não entende o que a outra fala. O inglês é a 3ª língua do país porque tem muitos turistas, devido as belas praias do país.”
F.P.: E como você fez pra se comunicar?
B.S.: “Muitos atletas falam inglês e já ajudou bem. Nos tempos livres procurei estudar tanto o Bahasa quanto o inglês pra poder me comunicar melhor. Hoje já não passo dificuldades e consigo me comunicar bem até mesmo com torcedores da equipe. Mas tenho muito que melhorar.”
F.P.: Já passou por alguma situação engraçada?
B.S.: “Várias. Uma delas foi em um restaurante que pedi um prato que vinha arroz, omelete e frango frito. Quando a comida chegou era tudo como li, porém tinha uma surpresa, o frango era inteiro. Vinha com a cabeça e tudo mais. Foi bem engraçado, todos os meus amigos deram muita risada.”
F.P.: Como é a sua relação com as crianças da categoria de base?
B.S.: “Muito boa. Uma vez ganhei um presente de um dos garotos. Ele fez uma caricatura minha comemorando um gol e esse gesto dele me marcou muito.”
F.P.: E quando o assunto é voltar para o Brasil?
B.S.: “No momento estou bastante feliz aqui e quero permanecer mais alguns anos. Quero fazer parte do desenvolvimento do futsal no país. Um dia com certeza quero voltar e poder participar das competições nacionais.”
Por Tamiris Dinamarco / Foto: Divulgação


