O “Check-in Futsal” desta semana segue no continente asiático e percorreu quase 4.000 quilômetros do Japão até chegar na Rússia, mais precisamente em Novosibirsk, capital da província homônima, na Sibéria. Com cerca de 1.500.000 habitantes é a terceira maior cidade russa, ficando atrás de Moscou e São Petersburgo. De Outubro a Abril é tomada por invernos rigorosos que marcam o frio de quem ali vive.
Para quem é brasileiro e habituado a temperaturas altas e clima tropical, jogar na Rússia é um desafio ainda mais difícil. Para o ala Darlan, de 26 anos, além do frio, se acostumar com a culinária russa foi uma tarefa complicada.
Antes de se transferir para o Siberiak, Darlan passou pelo Joaçaba Futsal (SC), Suzano Futsal (SP), Krona/Joinville (SC), Malwee/Jaraguá (SC), Intelli/Orlândia (SP) e seleção brasileira. Vale lembrar que o atleta está no futsal russo desde 2013 e tem contrato com o clube até junho deste ano.
A seguir, Darlan fala sobre estes dois anos na Rússia, planos e o que faz nas horas vagas:
Futsal em Pauta: Nesses quase dois anos na Rússia, do que você mais sente falta do Brasil?
Darlan Lopes: “Do velho e bom churrasco brasileiro e de um rodízio de pizza. No Brasil era acostumado com isso toda semana e aqui é muito difícil. Não tem churrascaria e nem carne de qualidade. Acabo me alimentando mais de peixes, frango, sopa e chás. Já estou quase um russo. (risos)”
F.P.: A Rússia é um dos lugares mais frios, como foi trocar o verão brasileiro por esse frio?
D.L.: “É o maior problema. Sempre gostei muito de sol. Morei quatro anos em Orlândia (Interior de São Paulo) e nesse tempo lá não me lembro de ter colocado nenhum casaco. Aqui isso já é rotina. Vivo cheio de roupas e as vezes enfrentando temperaturas de -40 graus.”
F.P.: E o idioma russo?
D.L.: “É muito difícil. No começo estudava sozinho, depois que aprendi o básico parei. Consigo sair sozinho, pedir comida nos restaurantes, me comunicar sobre coisas de jogo nos treinamentos, e mesmo assim, em quadra temos uma pessoa que traduz tudo e isso facilita a nossa vida aqui.”
F.P.: Com tantas dificuldades, o que compensa para estar num país tão diferente?
D.L.: “O lado financeiro é o que contribui e faz com que possamos superar tudo isso e aguentar firme.”
F.P.: O que você faz nas horas livres?
D.L.: “Procuro descansar, conversar com os familiares no Brasil e também para confraternizar com os brasileiros que jogam aqui. As vezes assisto filmes, vou ao shopping ou mesmo sair para jantar em algum restaurante. Mas sair de casa mesmo acaba sendo bem pouco porque na rua é muito frio, frio mesmo, e isso faz nos tornarmos até mais caseiros.”
F.P.: Qual o momento mais marcante na sua passagem pelo Sibiryak?
D.L.: “Foi o quarto jogo das semifinais da superliga russa, onde a nossa equipe estava perdendo por 9 x 7 para equipe do Dina (atual campeão) faltando 20 segundos fizemos 9 a 8 e faltando 2 segundos fizemos 9 x 9. A partida foi para os pênaltis e acabamos vencendo, foi incrível ver toda a torcida entrando em quadra, torcedores emocionados e chorando. Um jogo histórico que vou lembrar para sempre”.
F.P.: Fim de contrato chegando, pretende retornar ao Brasil?
D.L.: “Já é certo que nos próximos dois anos eu não jogarei no Brasil, quem sabe depois disso eu possa voltar. Aliás, é meu sonho voltar com certeza. Mas por enquanto pra mim as coisas estão melhores aqui na Europa.”
Darlan é o atleta brasileiro que está a mais tempo no Sibiryak. Humberto, que estava há quatro anos saiu recentemente para o Kairat (Azerbaijão), Léo Santana, Simi Saiotti e Jé completam a lista de brazucas na equipe.
Por Tamiris Dinamarco. Foto: A. Lukin (PMFK Siberiak)


