Os altos e baixos do futsal ainda geram muitas discussões


 Foto extraída do Site Portal N3.com
Decadente ou em plena ascensão? Estas e outras indagações similares fazem parte da vida de quem trabalha diretamente com futsal. Equipes surgindo, equipes se desfazendo, jogadores bem remunerados e jogadores insatisfeitos. 
Boa parte destes dilemas gira em torno da falta de um apoio concreto por parte da mídia aberta, falta de apoio do Poder Público (claro não há a necessidade em generalizar).  Também não podemos por a culpa na mídia ou em quem manda. Há o outro lado da moeda: atletas que se desligam ‘do nada’ de uma equipe, enquanto outra equipe dispensa tal atleta por falta de comprometimento ou porque este mesmo jogador foi pego em um ‘extra’.
Mas uma coisa é certa: mesmo com altos e baixos (parafraseando Luiz Inácio da Silva), “Nunca o futsal esteve tão em alta no país, como nos últimos anos”. De fato, faz sentido. No país Tupiniquim, temos uma Liga Nacional equilibrada, na qual uma equipe de baixo investimento supera todas as expectativas, e as de alto padrão ‘morrem na praia’. Já no exterior,  nossa modalidade segue muito bem representada, principalmente após a ‘Euro’.
Os Estaduais, com poucas exceções, caminham com as próprias pernas, enquanto outros sobrevivem às duras penas. Mas no ‘frigir dos ovos’, o eixo Sul-Sudeste salva a lavoura e evolui a cada ano, mesmo com ‘meia dúzia’ de equipes deixando ‘mais de meia dúzia de atletas’ desempregados.

O jogador Neto Caraúbas, atualmente no Ampere Futsal (PR), precisa muito mais:

Na minha opinião, evoluiu sim mesmo com as dificuldades, mas vejo um crescimento significativo. Precisa melhorar sempre, mas já foi bem pior”.

Marcelo Rodrigues, comentarista do SporTV, faz uma análise bem detalhada sobre o assunto:

O Futsal está em evolução no mundo inteiro. Aqui há muitas empresas que cuidam do esporte com qualidade e respeito. Muitas outras agremiações, para manterem seus elencos e atividades, optam por fazerem parcerias políticas. Isso nunca dará certo. Pode até dar num determinado período, mas o político investe ‘x’ e quer resultado de 100 ‘x’. Não deu pra somar voto, ele dá calote, encerra o pagamento, rompe contrato, e tudo fica por isso mesmo.

A Espanha diminuiu muito seus investimentos porque a crise é absurda. Desemprego em massa, etc. Todavia o respeito à modalidade é absurda. Penso que há evolução no mundo inteiro porque o Futsal está chegando em países que jamais sonharíamos em jogar Futsal. Aqui, precisamos cuidar mais. Ao passo que o profissionalismo existe e melhora por parte de treinadores, professores, preparadores e atletas, cada vez mais temos diririntes amadores ou de passagem pelo nosso jogo.


Temos craques nessa função também, mas normalmente são derrotados em votações pela maioria. Portanto, vejo um processo evolutivo na modalidade em todo o mundo e muita gente querendo a mesmice por aqui. Os que se salvam tentam, alucinadamente, manter o bom nível e conseguem essa evolução em seus clubes. O meu medo é que eles se cansem”.

Para o experiente atleta Pelé Jr, com passagens pelo futsal russo, e recentemente no Palmeiras, o grande problema está fora das quatro linhas:

Eu acho que o futsal dentro da quadra evoluiu sim, mas fora dela (pelo menos no Brasil) ainda deixa muito a desejar em termos de divulgação, organização e comprometimento pois ainda tem pessoas que agem em benefício próprio e não em nome do esporte”.

Campeão da Copa Nathanael Cardoso de Araújo (Copa Federação), pelo São Caetano/Drummond, o preparador de goleiros Evaldo Brás diz que a modalidade estacionou:

Há pessoas dentro de quadra que estudam e vão atrás, mas a  maioria procura o simples, parece que só sabem o básico e pararam no tempo”.

Fernando Cabral, campeão da Copa Federação e dos Jogos Regionais por Suzano, em 2012, também segue a mesma linha de pensamento de Evaldo Brás:

Ao meu modo de ver, o futsal ficou um pouco estagnado. Meio sem perspectivas. Tem muita equipe que aparecem e somem rapidamente. Além disso, têm poucos investidores, o que dificulta no crescimento e na valorização da modalidade”.

De acordo com o fixo Michael (ex Corinthians, São José, Colégio Londrinense, Wimpro e São Bernardo), a modalidade não será olímpica por tudo que acontece fora das quadras:

Na minha opinião, dentro de quadra o futsal evoluiu muito. Mas fora dela, continua a mesma ‘várzea’ de sempre. Clubes com franquias da Liga Nacional, que sequer, montaram equipes ainda. Time que contrata jogador e faltando uma semana para apresentação, dispensa o jogador por não ter mais a verba. 

Muitos culpados dessa desvalorização dos atletas. São os próprios atletas, que com a ILUSÃO de jogar em uma equipe grande, jogam até de graça, vão para um time mesmo sabendo que este time não paga ninguém. As prefeituras que envolvem política no esporte estão preocupadas com a política e não com o futsal. Eu acho que o futsal não vai ser olímpico nunca, até porque alguns jogadores e times não colaboram para isso“.

  

O ex-atleta Marcelo ‘Pelé  Branco’, sonha com mais profissionalismo por parte de atletas e dirigentes:


“Ofutsal tem muito a crescer dentro e fora das quadras. Vamos começar pelas menores, têm muito treinador sem qualidade para trabalhar com crianças, sem trabalho de base e treinamento adequado.


Chegamos ao principal, quanto profissionalismo tem nas equipes? Quantos atletas têm compromisso com as equipes? Dirigentes, quantos pensam na qualidade de bolas, qualidade de quadra, qualidade nas viagens, qualidade nos treinamento e número de jogos?


Ouço muito em dirigentes pensam muito em causa própria, é verdade? Resumindo, na minha opinião, os clubes precisam tem responsabilidades em seus compromissos.


O futsal, como sempre, tem muitas dificuldades vem crescendo. Falta mais mídia, mais patrocinadores e talvez mais apoio do governo. Mas como amante do futsal, sempre acredito que cresceremos e até seremos olímpico”
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