No futsal, os grandes craques também usaram a ’10’ na seleção brasileira

No futsal, a camisa 12 tem uma história marcada por muita tradição, e ‘envergada’ por três nomes que dispensam comentários: Jackson, Vander Iacovino e Falcão. Mas, assim como no futebol, a camisa 10 também é sinônimo de craque dentro das quadras. Aos longo dos últimos 40 anos, a ’10’, foi muito bem representada em campeonatos mundiais (desde 1982 – época em que a FIFUSA gerenciava a modalidade – até 2016, última edição da Copa do Mundo de Futsal).


Em 1982, aconteceu em São Paulo (SP), o primeiro Campeonato Mundial de Futebol de Salão, com o Brasil ficando com o título, ao vencer o Paraguai por 1 x 0, gol de Jackson, para um ginásio do Ibirapuera completamente lotado. Na ocasião, o camisa 10 era Paulo Bonfim (tio do fixo Leo Bonfim). A estreia foi do jeito que o torcedor gosta: 5 x 0 sobre os argentinos, com os gols anotados por Douglão (3), Paulo Bonfim e Cage.


Muito gratificante. Excelente a emoção de representar o Brasil, ainda mais com a camisa 10“, diz Paulo Bonfim.

Ainda sob o respaldo da FIFUSA (Federação Internacional de Futebol de Salão), a seleção brasileira disputou mais um Mundial, desta vez, em 1985, na cidade de Barcelona (ESP), onde o Brasil venceu os donos da casa por 3 x 1, ficando com o bicampeonato. Jackson, Douglas e Mauro balançaram as redes. Carlos Alberto, ex-Bradesco, era o nosso camisa 10. Na partida inicial, novamente vitória convincente sobre os nossos hermanos: 11 x 0. Paulo Eduardo (3), Carlos Alberto (2), Walmir, Douglão, Morruga, Raul e Mauro Brasília garantiram o resultado.


O ano era 1988, e novamente ano de Mundial FIFUSA. Com sede na Austrália, o Brasil teve o Paraguai pela frente na disputa pelo título, e após um duelo de muito equilíbrio, ficou com o vice-campeonato, ao perder a grande final por 2 x 1, em Melbourne. Ortiz marcou a favor do time brasileiro. Nesta edição do Mundial, Carlos Alberto vestiu a camisa número 10.


Sai FIFUSA, entra FIFA:
A retomada de conquistas, o início de uma hegemonia e a era ‘FIFA’ veio em 1989, com uma proposta diferente. Além de algumas alterações na regra e a mudança de nome (futebol de salão para futsal), veio também a Copa do Mundo de Futsal da FIFA, a qual teve sua primeira edição na Holanda, onde o Brasil mais uma vez gritou ‘É Campeão’, ao bater os holandeses pela contagem de 2 x 1, com gols de Sergio Benatti e Raul. Assim como em 1985, Carlos Alberto voltou a ser o camisa 10 do Brasil.

As lembranças são, primeiramente, de que nós jogadores, não éramos remunerados; Fazia aquilo realmente por sentimento, pra valorizar. E a gente tinha muita excursão, porque era o nosso ‘cata-cata’. Jogávamos muitos amistosos e fazíamos dinheiro para a CBFS e os vestiários, os treinos. Tudo isso era impagável; Era uma forma amadora de se jogar na seleção brasileira, mas os clubes já estavam se profissionalizando, com o Bradesco, Enxuta, Perdigão. Foi o começo de tudo isso aí. Acho que se não houvesse essa época, com certeza, o futsal não estaria do jeito que está hoje, com toda essa visibilidade“, relembra Carlos Alberto.

Hong-Kong foi palco da segunda edição da Copa do Mundo de Futsal FIFA e a seleção brasileira estreou em 16 de novembro de 1992, com vitória por 3 x 0 sobre a Austrália, gols de Manoel Tobias, Vander Iacovino e Ortiz. O título veio em grande estilo. Jorginho (2), Vander Iacovino e Manoel Tobias garantiram o placar de 4 x 1 sobre os Estados Unidos.


A competição de 1992 teve um fato curioso a favor do time brasileiro. Ao contrário dos anos anteriores, o camisa 10 do Brasil foi um goleiro: Mazureik (reserva imediato de Serginho). Esta foi a primeira vez que um goleiro defendia a camisa de número 10.

A terceira edição do Mundial FIFA foi disputada em 1996, mais uma vez na Espanha, onde o selecionado brasileiro fez bonito novamente. Estreia diante a Bélgica e vitória por 5 x 2 (Manoel Tobias, Fininho e Clovis). Na decisão do título, os brasileiros enfrentaram a seleção anfitriã e venceram por 6 x 2, com gols de Danilo (2), Choco, Marcio, Vander Iacovino e Manoel Tobias. A propósito, o pivô Choco, considerado por muitos como um dos melhores da posição em todos os tempos, era o nosso 10.


A virada do milênio também teve Copa do Mundo; Em 2000, a competição aconteceu na Guatemala, onde algumas curiosidades marcaram esta edição. A Copa do Mundo de Futsal FIFA nos anos 2000, foi o primeiro campeonato em que as seleções participantes puderam inscrever o máximo de 14 atletas. Esse número persiste até hoje nos Mundiais.

Ricardinho, ídolo do futsal português, foi o mais jovem atleta a disputar um Mundial. O ‘aspirante’ a um dos melhores do mundo fez sua estreia com apenas 15 anos e dois dias (essa marca persiste até hoje).


O Brasil teve uma de suas maiores goleadas: 29 x 2 sobre a Guatemala, com destaque para os seis gols de Manoel Tobias. Vander Carioca, que marcou três vezes nessa partida, estreou em uma Copa do Mundo.


Brasil e Espanha repetiram a final de 1996 e desta vez, os espanhóis ficaram com o título, após vitória apertada por 4 x 3 (Anderson, Manoel Tobias e Vander Carioca descontaram). O jovem pivô Lenísio, era o 10 da seleção brasileira.


A Copa do Mundo de 2004 foi disputada entre Taiwan (oficialmente China Taipé por razões políticas), e pela primeira vez na história, o Brasil não chegou à final do torneio. Na ocasião, o time brasileiro perdeu as semifinais para a Espanha (que viria a ser campeã novamente) e venceu a Argentina por 7 x 4 na disputa de terceiro lugar; Falcão (3), Schumacher, Euller e Índio fizeram os gols da vitória. Nesta edição, Fininho vesitiu camisa 10:

Acostumado a grandes jogos e dono de um talento ímpar, Fininho afirma que usar a 10 foi tranquilo “Me sentia bem com ela“.


A volta por cima e retomada da hegemonia de títulos veio em 2008, com a competição sendo disputada no Brasil (Rio de Janeiro e Brasília). A estreia veio com goleada: 12 x 1 sobre o Japão. Neste ano, a Rússia quebrou o recorde de gols em uma só partida, ao bater as Ilhas Salomão por 31 x 2, com destaque para o pivô Pula (brasileiro naturalizado russo), autor de sete gols e principal artilheiro da competição com 16 tentos.


Na briga pelo primeiro lugar, mais uma vez os espanhóis no caminho do Brasil. Após dois empates (2 x 2 no tempo normal e 0 x 0 prorrogação), brilhou a estrela do goleiro Franklin, que defendeu duas cobranças de pênaltis, garantindo o placar final de 4 x 3. Lenísio, mais uma vez, conquistou a camisa 10 da seleção.


Lenísio, já com a carreira consolidada e com 32 anos, contou com duas experiências bem distintas em Mundiais:


No Mundial de 2000, eu havia sido o melhor jogador da Liga Futsal e artilheiro com 50 gols pelo Atlético Mineiro, e o Brasil perdeu esse Mundial para a Espanha (depois em 2004 também). Foi a primeira vez que perdemos uma Copa para eles e isso, realmente foi um baque pra mim. Eu tinha uma expectativa muito grande para este Mundial, e infelizmente, acabamos perdendo. Em 2008, era praticamente o meu ultimo Mundial e foi disputado aqui no Brasil e a gente tinha uma pressão muito grande, e acabou sendo totalmente. Então eu tive o prazer de vivenciar as duas situações. Por que eu digo prazer? Porque, com as derrotas, a gente aprende muito e com o Mundial de 2000 eu aprendi demais com aquela derrota, e aquilo me ajudou muito na minha carreira. E na Copa de 2008, uma situação de pressão, por ser aqui, e a gente com uma obrigação maior ainda. O Brasil sempre tem essa obrigação, mas a gente saiu com o título. Tudo foi que possível vivenciar com a seleção, vivenciei. E, humildemente falando, consegui e passei por todos os momentos. Não digo melhor ou pior, mas eu vivi dois momentos totalmente opostos e me formou, não só como atleta, mas como ser humano também“, relata o ex-pivô.


Por duas edições seguidas, Fernandinho foi o camisa 10 da seleção brasileira. O feito se deu nas Copa de 2012 (Tailândia) e 2016 (Colômbia). Na Tailândia, o Brasil ficou com o título ao passar pela Espanha na prorrogação: 1 x 0, gol de Neto. No tempo normal, empate por 2 x 2. Falcão e Neto balançaram as redes.


Já em 2016, última Copa disputada pelo ala Falcão, o Brasil foi eliminado na fase oitavas de final, ao perder para a seleção iraniana nas penalidades máximas (empate por 3 x 3 no tempo normal e 1 x 1 na prorrogação. No pênaltis, Irã 3 x 2). A final, disputada de forma de inédita, reuniu as seleções da Argentina e da Rússia, com os argentinos levando pra casa o troféu de campeão.

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