Árbitro agredido no “Cruzeirão”, diz que não perdoa atleta culpado

 Agredido e agressor: Everton Oliveira e Werington Alves (Fotos: Emílio Botta)
O árbitro Éverton Araújo de Oliveira, agredido após uma partida de futsal em Sorocaba na noite desta terça-feira, diz que não tem a intenção de perdoar seu agressor, o jogador Werington Alves Santos, que lhe deu uma voadora ao reclamar de um gol marcado contra seu time nos segundos finais da prorrogação. Werington, por sua vez, diz que está arrependido do que fez e pronto para responder na Justiça pelo ato, se necessário.
“Foi premeditado. Ele nem estava na quadra na hora do lance, saiu do banco e veio só para agredir. Não posso perdoar alguém que age dessa forma”, disse o árbitro na tarde desta quarta-feira, durante reunião com o diretor de arbitragem da Liga Sorocabana de Futsal (Lisofus), Eliseu Sentelhas, no Ginásio Gualberto Moreira, local da partida que terminou com a agressão.
Everton diz que nem foi o responsável por apitar o lance polêmico – um gol nos segundos finais, que, segundo os jogadores do time derrotado, saiu após o cronômetro zerar.
“Éramos dois árbitros, como em qualquer jogo de futsal, e eles partiram para cima do meu colega. Então fui até a confusão para ajudá-lo e acabei apanhando de alguém que foi lá só para agredir”.
Morador de Piedade, cidade próxima a Sorocaba, Éverton também faria um exame de corpo de delito, já que foi registrado um boletim de ocorrência por agressão e o árbitro deve responder a inquérito. Além disso, Éverton pretende abrir um processo por danos morais e materiais, já que perderá os cachês por alguns jogos, além de se sentir envergonhado ao ser agredido em um caso que ganhou repercussão nacional.
“Agora vou ficar conhecido como o juiz que apanhou num jogo de futsal. Não era o que eu queria para a minha carreira”, encerra.
Do outro lado, arrependimento 
 Em sua casa, no bairro Júlio de Mesquita, zona oeste da cidade, o jogador Werington disse que está arrependido da agressão, e que o sangue ferveu porque seu time se considerou prejudicado em vários lances – inclusive no gol, que, segundo eles, começou num lance que deveria ser tiro de meta, mas a arbitragem anotou lateral no meio-campo para o time adversário, que conseguiu o tento da vitória a um segundo do fim da prorrogação.
“Não deveria ter feito isso, é claro. Jogo futsal há 10 anos e nunca briguei com ninguém, mas fiquei irritado na hora porque a arbitragem estava nos prejudicando. Nosso time é humilde, estava jogando de igual para igual com outro mais forte, aí saiu o gol daquele jeito, não deu para segurar a irritação”, contou o jogador, que não falou sobre ter sido punido anteriormente.
Segundo a Lisofus, ele já cumpriu um ano de suspensão por ter agredido um juiz em outra ocasião, e agora a entidade quer bani-lo das competições esportivas na região de Sorocaba.
Auxiliar de almoxarife, ele conversou com a reportagem depois de sair do trabalho. O atleta contou que já foi à delegacia prestar depoimento, logo depois do jogo, e vai aguardar o decorrer do processo para saber como pagar pelo que fez.
“Estou ansioso, agora vou esperar a intimação para conversar com o juiz e ver o que vai acontecer” avalia. Werington deve responder a inquérito por lesão corporal leve, que prevê pena de prisão de três meses a um ano, segundo o Código Penal.
Com informações: Pedro Craveiro/TV TEM

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